Verão em Guarapari
Céu, tão grande é o céu.
E bandos de nuvens que
passam ligeiras, pra onde elas vão, ah, eu não sei, não sei.
Tom Jobim e Aloysio de
Oliveira
As praias de Guarapari são lindas e é uma delícia passear em
sua orla. Nessa época, a cidade recebe uma brisa gostosa e faz exaltar nas
pessoas um sentimento de bem-estar, como um convite para contemplar sua bela
natureza e conviver com pessoas. É assim que eu me sinto lá no verão.
Ontem à noite estive no Kibe Lanches, bem no centro da
cidade, e comi as especialidades da gastronomia árabe, acompanhadas de cerveja
gelada. Aliás, cervejas, porque não dá pra beber só umazinha nesse calor. Tem
que ser um monte. Estava muito bom.
Em companhia de minha mulher e de casais amigos, o assunto na
mesa girou em torno da Guarapari dos dias atuais em comparação com o que ela era
no tempo de nossa juventude. Como todos os presentes eram de faixa etária parecida,
o papo fluiu numa descontração só possível entre amigos da vida inteira: Boas
lembranças, pessoas queridas, banhos de mar, moquecas, brincadeiras e risadas.
Já fomos ao Kibe Lanches inúmeras vezes, em todas as épocas
do ano. Nunca foi preciso pegar senha para ser atendido. Mas ontem foi
necessário. É o sinal dos tempos.
Jorge Chamon, o proprietário, apareceu, e como sempre,
cumprimentou amigavelmente a todos e foi efusivamente festejado por alguns mais
entusiasmados no lugar.
Esperamos com paciência chegar nossa vez e enquanto isso, bebemos
vários copos da loura, em pé mesmo e encostados nos carros estacionados na rua,
e um tempão depois, fomos chamados pelo garçom. Nessa altura a animação era
geral.
A grande novidade da noite foi quando Juninho anunciou que ia
pintar sua vasta cabeleira branca. Ele disse que queria fazer isso porque se
sentiu envelhecido depois que uma empregada no supermercado disse que “... a
fila para idoso é outra”.
- Pô, eu não sou idoso! - disse protestando, - ela ficou
olhando pra mim com ar meio incrédulo, meio sem graça, por ter cometido a gafe.
O papo continuou descontraído pela noite.
No dia seguinte, na praia, apareceu ele todo orgulhoso com suas
madeixas renovadas, incluindo as sombrancelhas em acaju. Acompanhado de Beth,
sua mulher, perguntava a todos se tinham gostado do novo visual. Era uma
alegria só quando as pessoas elogiavam. Comentou que ia voltar ao supermercado
e passar em frente da moça que o tinha chamado de velho para se mostrar e
provar que não era idoso.
Mais tarde, na hora do almoço, Roberto contou uma história que
ele jura ter acontecido de verdade, mas tenho cá minhas dúvidas. Serviu foi para
todos darem boas risadas. Disse ele que numa tarde de sábado, no início dos
anos 1960, um sujeito saiu do mercado da Vila Rubim, em Vitória, com uma sacola
cheia de compras e um pato ainda vivo. Passando em frente ao cinema Santa
Cecília, bem antes do tempo em que foi transformado em templo religioso,
resolveu entrar. Como o porteiro não permitiu o seu acesso por causa do bicho,
ele resolveu enfiá-lo dentro da calça. Abotoou seu paletó (nessa época todo
mundo usava peletó) para disfarçar, comprou o ingresso e entrou para assistir La Dolce Vita, de Federico Fellini.
Durante a exibição, enquanto Marcello Mastroianni e Sylvia
Rank desempenhavam maravilhosamente seus papéis através dos cartões postais de
Roma, o bicho começou a ficar muito agitado. Para acalmá-lo, o sujeito abriu
a braguilha da calça, permitindo ao pato mexer a cabeça e respirar livremente.
Como estava comendo pipoca, acabou alimentando o penoso ali mesmo, naquela
situação.
Nessa altura, o pessoal ao seu lado já estava alvoroçado com
a inusitada cena. Ele então se dirigiu a uma mulher que estava perto:
- A senhora nunca viu isso?
Ao que ela respondeu prontamente:
- Bem, moço, ver eu já vi, mas nunca comendo pipoca...
A gargalhada foi geral.
Essa do pato não dá pra engolir que tenha acontecido....kkkkk
ResponderExcluirBashar
Oi Giovanni!
ResponderExcluirEu sou Aline, a sua fã da Logos! haha.
Eu trabalho com o seu irmão, Sérgio.
Gostaria de te parabenizar pelos excelentes textos. São realmente criativos e, ainda mais do que isso, valorizam as pequenas coisas e ações do dia a dia.
Quando você lançar o seu livro lá na LOGOS (sim, porque em outro lugar seria inadmissível! haha) eu quero meu autógrafo garantido eim! ^^
Abraços e até o próximo post! ;D