Vinho
Nectar Hominum Deorumque.
Muito já foi dito sobre os benefícios
do uso moderado do vinho. Estudos na academia se multiplicam a cada instante,
por todo lado. Como gosto dessa bebida, eu também resolvi me expressar sobre o
assunto porque, assim como bebê-lo, falar sobre ele é muito bom.
Para começar, declaro que nunca penso
nos benefícios para a saúde quando bebo o vinho. Prefiro apenas e simplesmente bebê-lo,
e me deixo levar pelas sensações visuais, olfativas e gustativas que, ao longo
dos goles, vão se harmonizando com os teores e eflúvios alcoólicos que ele traz
consigo. Estou falando da deliciosa embriaguês dos sentidos e do relaxamento
físico a que me entrego nesses instantes. Não é necessário o uso da razão ou a
busca de justificativas para viver os momentos de prazer e de sentimentos de
felicidade.
Mas beber, só se for na companhia de
alguém com quem se possa confiar e compartilhar uma boa e demorada conversa,
sem pressa e nem compromissos à vista. Não me concedo beber sozinho. Alegria,
descontração, calma e união, são elementos que devem testemunhar o encontro
entre as pessoas e selar seus relacionamentos. Um dia, e isso já faz alguns
anos, Nietzsche disse que a vida mais doce é não pensar em nada. Eu faço uma
adaptação ao seu pensamento e acrescento a isso o vinho: A vida mais doce é não
pensar em nada junto a uma taça de vinho.
Não precisa, absolutamente, ser
aquele mais caro da prateleira da venda. Basta ser feito de uva, ser vermelho,
vir numa garrafa, ter uma rolha em cima, e vir com uma qualidade mínima para
que se possa apreciá-lo e enaltecer suas virtudes.
Tenho um amigo que repete sempre que
vinho não é bebida, é acontecimento. Segundo ele, trata-se de uma forma de
juntar as pessoas e, mesmo sem um motivo declarado de comemoração, se
transforma em acontecimento, ou seja, um encontro entre pessoas. E assim é.
Na semana passada, eu e minha mulher,
junto com os nossos dois filhos, estivemos numa visita a uma grande viña chilena, no vale do Maipo. Fomos
muito bem recebidos pelo pessoal do estabelecimento e a enóloga, uma moça muito
bonita, nos guiou pelas instalações de onde saem os grandes carmenère, merlot,
cabernet, dentre tantos outros. Tive a oportunidade de provar excelentes
vinhos, mas além de tudo, a oportunidade de conhecer a cultura do lugar, sua
geografia, sua gente e seus hábitos.
Conhecer um vinho, além dos aspectos
sensoriais, é também conhecer a geografia e a história de onde ele é produzido.
Dessa forma, durante a visita, fui informado sobre detalhes do plantio,
insolação, regime de chuvas, níveis de açúcar, época do ano mais propícia à
colheita, podas, a Phylloxera e a
grande praga que afetou as vinhas européias no século 19, barris,
envelhecimento, engarrafamento, rótulo e vários outros assuntos sempre em torno
da uva e do vinho.
Em cada etapa da visita, fiz uma
degustação de vinhos para demonstrar o que havia sido explanado durante o tour.
Dizem os especialistas que há mais de
10 mil variedades de uvas viníferas no mundo, e dessas, cerca de 50 são usualmente
empregadas na elaboração de vinhos de qualidade.
Portanto, levanto aqui um brinde ao
encontro! Bebamos mais! Brindemos mais! E que nossas vidas sejam vividas em
sempre ótimas companhias, tanto com os amigos quanto com os bons vinhos!
Deus me ajude e me permita beber
todos os meus vinhos!
E que assim seja!
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