Uma viagem a Porto
Alegre
Cheguei ao aeroporto de Vitória e me apresentei no balcão de check-in no horário marcado para
embarcar para Porto Alegre. O voo era às 20h55, mas só partiu às 23h50.
Isso me deixou apreensivo porque, considerando que até o
destino, era previsto um tempo de quatro horas de viagem, com um atraso de três
horas na partida, eu chegaria por volta das três da madrugada. Soma-se a isso o
percurso de taxi e o check-in no
hotel, e não acontecendo mais nenhum imprevisto, eu cairia na cama por volta
das três e meia da manhã.
Em escala no Galeão, após vários minutos de espera, o
comandante informou que o aeroporto em Porto Alegre estava fechado para obras na
pista e para contornar o problema, o voo seria desviado para Caxias do Sul e
daquela cidade, seria disponibilizado um ônibus com previsão de chegada a Porto
Alegre às seis horas da manhã.
- Putz! – Eu
pensei (na verdade eu disse foi um palavrão mesmo!) – agora estou perdido
(outro palavrão!) – Vou passar o dia inteiro trabalhando e terei pouquíssimo tempo
para descansar.
Logo após, o que estava ruim ficou pior quando o comandante,
novamente se dirigindo aos passageiros, informou que a empresa decidiu reter o
voo até às 4h e então partir direto para Porto Alegre, e que todos deveriam
desocupar o avião e aguardar na sala de espera do Galeão.
- Caramba!
(Um palavrão, mas agora em voz alta).
Como falar sobre tentar dormir naquelas cadeiras de aço pintadas
de cinza e azul? Sem encosto para a cabeça e o mínimo de conforto, a iluminação
intensa, a voz nervosa e de taquara rachada das empregadas das companhias
aéreas intimando os passageiros para o embarque imediato, cansado e preocupado
com o trabalho na manhã que se aproximava.
Até agora, enquanto escrevo a história, estou com dores nas
costas de tanto que fiquei torto naquela maldita cadeira da sala de embarque.
Às 4h o voo para Porto Alegre partiu.
Às 6h estava entrando no taxi para o hotel.
Às 6h30 estava entrando em outro taxi em direção a outro hotel
após descobrir que não havia reserva para mim. O recepcionista conseguiu uma
vaga em outro hotel da mesma rede.
Às 7h fiz o check-in
e subi para o quarto, tomei um banho rápido e troquei a roupa.
Às 7h30 desci para o café da manhã.
Às 7h40 Verônica já me esperava no saguão para irmos para o
trabalho, onde permaneci até às 19h30.
Passei o dia lutando contra o sono. Retornei para o hotel e
desabei na cama. Passei o dia seguinte meio lerdo.
Ao anoitecer, segui para o aeroporto para retornar para casa.
O voo partiu no horário marcado.
Quando cheguei ao Galeão para fazer a conexão para Vitória,
permanecemos cerca de 20 minutos dentro do avião aguardando a chegada de uma
escada para a descida dos passageiros.
- Como é
possível não haver uma escada disponível no Aeroporto Internacional Tom Jobim?
– pensei - só pode ser um brincadeira.
Mas não foi só isso. Quando a escada chegou ainda não foi
possível descer porque não havia ônibus. Mais 15 minutos de espera.
E teve mais: O motorista do ônibus se perdeu dentro de
aeroporto e demos duas voltas em torno dos terminais em busca daquele que
finalmente eu desembarcaria.
No horário marcado, embarquei no avião que me trouxe para
Vitória. Estava tão cansado e irritado que não resisti e perguntei para a
comissária no topo da escada do avião:
- Este voo
vai para Vitória?
- Sim, senhor.
- Você tem certeza do que está
dizendo?
- Tenho, senhor, respondeu sorridente.
Por via das dúvidas, entrei no avião com o pé direito. Vai que...
Este episódio aconteceu no fim-de-semana passado. Imagine a
situação quando chegar a Copa do Mundo e ocorrer a explosão de turistas
invadindo o Brasil. Será que alguém acredita que a Infraero e a Azul vão dar
conta do recado?
Mas a viagem teve um ponto alto: Foi no domingo durante o almoço
no Villaró Parrilla Lounge: Entrecot
grelhado, um filé de costela bovina, acompanhado de um Casa Silva Reserva Carmenere 2010. Compensou todas as
agruras da viagem.
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