O meu Dia do Homem



 
Hoje é o meu dia. O Dia Internacional do Homem. E eu o brindo a mim mesmo.


De antemão, eu aviso: Não foi fácil chegar onde me encontro hoje. E é por isto que o meu brinde é feito muito particularmente em razão de minhas próprias conquistas e não em função das conquistas que o gênero, coletivamente, conquistou na atual era, em tempos de altos níveis de comunicação, a vida em giro rápido e extrema competitividade entre as pessoas.


Chegar até aqui me custou muito, mas cheguei, e mesmo com todas as dificuldades e obstáculos, as noites mal dormidas, as contas pagas em atraso, as cãs prematuras, hoje me permito usufruir uma garrafa de um Erasmo 2007 e buscar minhas justificativas após um almoço em família numa tarde ensolarada em minha varanda no nono andar.


É muito? É pouco? Não há resposta definitiva para isso. Mas é o suficiente para me sentir pleno de vida e disposto a afirmar que me sinto bem no Dia Internacional do Homem.


Ontem à noite, após um dia intenso de trabalho, estando a repassar as notícias do dia na Internet, fui alertado para esta data comemorativa que existe desde 1999 e criada pelo Dr. Jerome Teelucksingh, da Universidade das Índias Ocidentais, em Trinidad e Tobago. Celebrada originalmente em 19 de novembro de cada ano, tal iniciativa tem apoio da ONU e grupos de defesa dos direitos masculinos nos Estados Unidos, Europa, África e Ásia. No Brasil, o Dia do Homem é comemorado em 15 de Julho. Por que aqui a data é diferente? Não sei. Mas é.


Sem levar em conta a realidade vivida pelo Dr. Jerome e sua motivação ao propor a criação deste dia, penso que esta comemoração não seja adequadamente aplicada à realidade do homem moderno e bem-sucedido, aquele que teve educação acadêmica, constituiu família, tem emprego e, portanto, possui renda, e vive certa estabilidade econômica que o permite, além de pagar as contas obrigatórias para viver (alimentação, moradia, educação, saúde), ainda ter como usufruir de momentos de lazer e tranquilidade junto aos seus.


Antes, este dia deve ser dedicado à lembrança do muito o que se há de percorrer até que seja resgatado o mínimo de dignidade àqueles que estão à frente de suas famílias e têm responsabilidades em prover sua casa com recursos suficientes que os permitam viver em condições adequadas e dignas.


Pensando em uma sociedade utopicamente perfeita, algo jamais alcançado na história da civilização humana, é possível deduzir que o homem, junto com o seu gênero oposto, a mulher, nunca atinja patamares econômicos e de justiça social estáveis e duradouros.


E eu nunca desejaria algo assim. Um mundo tão previsível, estável e politicamente correto seria muito chato. Um mundo no qual eu não gostaria de viver. Neste mundo ideal e perfeito haveria de faltar o desafio, a sede de conquista e a vontade de alcançar níveis mais elevados do ser, tanto no ter como no saber. Vencer! Faltaria nas pessoas a querência no sentido mais íntimo e mais grandioso de impulso ao próximo passo e ao desconhecido, o querer seguir adiante e ter para si. A força interior que impulsiona o ser ao penhasco do saber para desvendar o oculto e o secreto.


Pensando desta forma, no mundo real, este que todos nós ora vivemos, as perguntas, as dúvidas e o questionamento sobre a coisa posta, sobre o status quo, move mais o homem para o seu próprio desenvolvimento do que tudo o que lhe é dado sem que lhe tenha custado o seu esforço e o seu suor. Fundamental é lutar sempre. Imaginar, querer, buscar, vencer e conquistar.

Assim, e por tudo isso, esse dia foi marcado como um momento de reflexão sobre como tem sido minha vida, minhas rotinas e meu trabalho; o que me foi dado ver e testemunhar no mundo. E vencer.

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