Ladrão de cabrito

 
Vida boa vida alegre, minha vida é um pagode,

Me criei robando cabra, vou morrê robando bode.

Luiz Gonzaga e Rui Moraes e Silva.

Certa feita, Carlinho, um conhecido que mora numa cidade do interior do Espírito Santo, estava na casa de sua namorada, quando soube que o seu sogro havia separado dois porquinhos para o almoço de aniversário dela que ia ser celebrado no fim de semana seguinte.

Sabe aquele tipo de gente que não pode ver um porquinho, um coelho ou um cabritinho que não sossega até conseguir roubá-lo?

Êta vício danado! Assim que soube dos porquinhos do sogro, pensou, tentou resistir, mas não teve jeito: Disse para a namorada que tinha que resolver alguma coisa na cidade e voltava logo. Disse isso, saiu, encostou o carro próximo ao cercado, agarrou um bicho, enfiou no porta malas e saiu de fininho.

Foi direto para casa, matou, limpou, separou todas as carnes e guardou tudo no freezer. Tomou um banho rápido e voltou correndo para a casa da namorada. Chegando lá, quando a namorada deu um cheiro nele, disse:

- Carlinho, você tá com um cheiro esquisito. Você tá com cheiro de porco...

Os amigos não se cansam de alertá-lo para parar com essa prática.

Já passou muito aperto por causa dessa mania, como da vez que, passando de carro por um sítio, avistou uns cabritinhos dando sopa atrás de uma cerca. Parou o carro ao lado da estrada. Ele estava com um amigo. Pegaram um carneirinho e colocaram no porta malas do carro e saíram para pegar outro. Estavam atrás de um bicho quando o dono da terra os avistou e saiu correndo atrás deles. Entraram no carro e em disparada, sumiram do local. Foi aí que perceberam que o porta malas estava aberto. Resultado: O carneirinho que haviam roubado escapou.

Decidiram que tinham que voltar para buscar o bicho fujão. No mesmo dia, retornaram e por cautela, pararam o carro num lugar mais afastado. Cuidadosamente, enquanto esperava com o carro ligado, o amigo entrou no sítio e subtraiu um bicho. Quando retornava para o carro segurando o cabrito pelas pernas e apoiado em seus ombros, o dono da terra começou atirar com uma espingarda. Na correria, ao entrar no carro, o cabrito bateu na beira da porta e quase caiu. Mas conseguiram fugir com o produto do roubo.

Já roubou até coelho e galinha.

Certa ocasião, ele foi a uma propriedade do tio de sua namorada para buscá-la quando viu uns cabritos e resolveu pegar um. Como sempre, enfiou o bicho na mala do carro e foi na direção da casa. Foi aí que sua namorada comentou:

- O tio sabe que você gosta e não liga se pegar um cabritinho dele.

- É sim, pode pegar, confirmou o tio. Não dou a mínima para esses cabritos.

Por essa ele não esperava. Perdeu a graça. Estava desapontado.

            - Quer saber? Assim eu não quero. Bom mesmo é roubado...

Abriu o porta malas, desamarrou e soltou o bicho, sob o olhar espantado de todos.

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