Buenos Aires é aqui

 


Semana passada fui a Buenos Aires. O sábado amanheceu luminoso sob um céu azul. A brisa agradável do inverno sem nuvens que entrava pelas janelas do apartamento me deu vontade de andar um pouco por aí.

Não sei bem a razão, me veio à mente Buenos Aires. Não, não se trata da capital portenha, mas um Distrito de Guarapari, aqui, bem pertinho de Vitória.

Tomei o café da manhã e apressei a patroa na arrumação dos trecos para passarmos o dia fora. Pouca coisa, considerando que o almoço seria num restaurante qualquer pelo caminho. As tralhas se resumiram basicamente em algumas garrafinhas de água, máquina fotográfica, um pouco de dinheiro e o principal, o cartão de crédito.

O programinha empacotado que já repeti tantas vezes em outros lugares próximos da Capital, mas sempre muito bom: Passar o dia vendo paisagens diferentes para relaxar um pouco. Algumas vezes, revendo os mesmos lugares.

Minha mulher e eu, gostamos muito de andar à toa por aí.

Subimos com o Puma amarelo.

Ah, não havia mencionado antes, tenho um Puma GTE 1975, modelo Tubarão, amarelo e que é o meu tesouro. Eu o restaurei a menos de um ano. Ficou lindão e bem próximo ao original, mas com algumas essenciais melhorias no conforto. Mas isso é assunto para outra ocasião.

Pois então, depois de abastecer o Puma, rumamos em direção à Rodovia do Sol e em pouco mais de uma hora, já estávamos no começo da estrada da Pedra do Elefante, local onde se inicia a subida para Buenos Aires.

O caminho é bem pavimentado e a vista, deslumbrante. A certa altura, é possível avistar as praias ao longe. Dá pra ver Guarapari quase inteira.

Lá em cima, num recanto, passamos bons momentos próximos a uma cachoeira. O clima ameno, a conversa esticada e calma. Teve até uma limonada geladinha feita por uma senhora, dona da birosca do lugar. Numa sombra, fechei os olhos e cochilei.

Despertei da soneca com o barulho de vozes que vinham de cima do morro, perto de onde começava a queda d’água. Era a gritaria de adolescentes divertindo-se na corredeira.

Perto do meio dia, saímos em busca de um lugar para comer.

A caminho do núcleo urbano, observei a beleza dos inúmeros sítios ladeando a estrada, sempre bem cuidados e com um apelo chamativo, como um convite para parar, chegar e ser bem vindo às varandas repletas de sombras. O mundo, todo ele, deveria ser composto apenas de lugares assim.

Ao passar pelo centro, pude observar o jeito sossegado das pessoas nas ruas e nos bares. É bem verdade que grande parte daquela gente está ali apenas para o fim de semana porque provavelmente moram mais próximos de Vitória. Mas, apesar disso, e talvez pelo fato de estarem mais isolados, a vida passa mais serena por ali.

Descobrimos um restaurante localizado numa chácara.

Ao entrar, pude ver várias mesas ocupadas. Sinal de eu o lugar é bem conhecido. Veio nos atender à mesa uma mulher jovem com um cardápio sem nenhuma sofisticação. Deu para perceber que era um negócio familiar, o pai no caixa, a mãe, cozinheira.

Os pratos oferecidos eram bastante simples. Escolhemos uma galinha ao molho pardo com batatas, acompanhada de feijão, arroz e salada.

            - Sabe de uma coisa? – Disse minha mulher – É a melhor galinha ao molho pardo que já comi na vida.

Realmente, a comida estava muito saborosa. Comemos com calma, sem pressa.

A tarde avançava e o Sol descia já próximo ao topo dos morros quando resolvemos voltar.

Chegamos bem em casa. O dia foi ótimo.

O Puma amarelo voltou para a garagem.

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