Sem Internet
Lá pelos anos 1980 apareceu o computador pessoal nos moldes
que o conhecemos hoje. Antes disso, só as grandes corporações e universidades
podiam bancar instalações com o porte necessário para abrigar os gigantescos equipamentos,
como eram naquela época. Isso sem contar que a tecnologia era restrita a poucos
países e muito pouco difundida entre os cidadãos. Poucos nesse mundo podiam
imaginar o uso do computador pelas pessoas em seu cotidiano de maneira tão
ampla, seja no trabalho, no lazer ou em aplicações domésticas.
Passados os anos, a tecnologia nesta área alcançou níveis de
desenvolvimento inimagináveis para aquela época. O processamento de dados
através dos chips estão presentes em praticamente todas as atividades humanas,
e também naquelas onde não é possível sua presença. Houve época em que eu
pensava que o limite para esse desenvolvimento seria o tamanho do dedo,
imaginando simplesmente na miniaturização dos aparelhos, mas isso não impediu o
seu controle através de comandos de voz e sabe-se que há em uso sistemas e
máquinas movidas por impulsos do cérebro. Não há dúvida que o desenvolvimento
nesta área foi fabuloso.
Com a produção em massa e o seu uso corrente, a parafernália
tecnológica invadiu a vida do ser humano a ponto de, em inúmeros casos, criar
uma dependência muitas vezes compulsiva a essas maquininhas. Isso no campo
pessoal. Se for levado em consideração o uso comercial, há exemplos infinitos da
necessidade absoluta de sua aplicação nos negócios. Dá para imaginar um
estabelecimento comercial sem um equipamento para passar o cartão de crédito ou
para emitir o cupom fiscal? Imagine um magazine emitindo notas fiscais na mão
nos dias de hoje!
Na indústria, da mesma forma, o uso da tecnologia é
imprescindível para garantir qualidade, competitividade e sua manutenção no
mercado.
Qualquer pessoa deste planeta que esteja conectada à internet
pode acessar praticamente tudo o que deseja. O limite para o
aprofundamento de sua pesquisa está contido nela própria, ou seja, se a pessoa sabe
o que quer encontrar, os mecanismos de busca na rede retornam informações em
quantidades astronômicas em fração de segundo, permitindo o seu aprofundamento conforme
sua necessidade.
Com tantas informações disponíveis, com tanta coisa entrando
na mente das pessoas, a velocidade das ações rotineiras aumenta. A velocidade
da vida aumenta. Daí a sensação de que o tempo passa mais depressa.
Com o passar dos dias e com o alto giro da vida, quem de nós
é capaz de dar uma paradinha num fim de tarde e ir ali na beira da praia para
ver a lua surgir no mar? Não é nem para estimular impulsos românticos, escrever
poesia ou cantar sob sua luz prateada, mas simplesmente para relaxar da tensão
após um dia infernal dentro do sistema.
Com tamanha dependência do computador, quando a rede cai, num
instante, vida fica vazia e o cidadão não sabe o que fazer. De repente, ele se vê
no escritório sem saber para onde ir e percebe que tudo o que produz está
dentro de seu notebook, e sem ele, não é possível fazer mais nada.
Agora mesmo, a internet saiu do ar. Soube que houve um
acidente na rua e os cabos foram rompidos. Estou escrevendo esse texto porque
não consigo fazer mais nada em meu trabalho. Preciso enviar emails, acessar o
sistema, mas não consigo. Estou isolado do mundo.
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